sábado, 7 de março de 2015

VC4 Entrevista - Luciana Haguiara

Ainda em homenagem ao dia internacional da mulher, entrevistamos Luciana Haguiara, diretora de criação digital da AlmapBBDO, em São Paulo.
Luciana nos mostrou que publicidade também é coisa de mulher e, que vale a pena correr atrás dos seus sonhos.
Confira:



VC4 - Por que você escolheu a área de publicidade?
Luciana - Escolhi publicidade, porque era uma maneira de ter contato com todo tipo de informação, estar sempre aprendendo algo diferente, ter que buscar novas referências o tempo inteiro para tentar fazer um trabalho inovador e criativo.

VC4 - Como você começou sua trajetória profissional? Conta pra gente um pouco mais da sua história.
Luciana - Comecei fazendo estágio em uma grande agência e passei por todos os departamentos antes de chegar na criação. Esse processo foi muito importante, porque você precisa saber como a máquina funciona, entender todo o processo, antes de resolver em qual área você vai apostar suas fichas.
Escolhi a criação e comecei como redatora de off-line. Em 2001, mudei para o digital, porque fiquei absolutamente apaixonada pela infinidade de possibilidades e pela constante evolução do meio.

VC4 - Quais as agências que você já trabalhou?
Luciana - Comecei na JWT, Publicis, Olgilvy e estou há dez anos na AlmapBBDO.

VC4 - Sobre o seu trabalho, como é ser diretora de criação digital?
Luciana - É uma loucura. Aqui na agência trabalho com praticamente todas as contas que, cada vez mais, querem estar com suas marcas presentes no ambiente digital. Minha função é coordenar o time de criação para que esse trabalho saia impecável, inovador e que cumpra com seus respectivos objetivos. Tem a parte divertida, de sentar com os criativos ouvir ideias, escolher, dar pitacos e as vezes criar junto, mas também tem a parte “burocrática” de coordenar uma orquestra que envolve pessoas, salários, clientes, faturamento, produção, etc.

VC4 - Como você vê a transição entre a publicidade tradicional e a publicidade online?
Luciana - Acho que transição não é o melhor termo. Temos espaço para todas as disciplinas e nada vai morrer. O que existe são novas possibilidades que não param mais de aparecer.

VC4 - O que te inspira a continuar na área da publicidade?
Luciana - Seja qual for a profissão que escolher, se você realmente gosta do que faz, vai sempre querer evoluir, aprender coisas novas.

VC4 - Queremos conhecer mais sobre você: Quais livros, filmes e bandas favoritas?
Luciana - É fato: não vejo TV aberta e quase nem vejo mais TV a cabo. Consumo todos os seriados do Netflix vorazmente, leio qualquer coisa que cair na minha mão, até bula de remédio. Música é trilha sonora, então tudo tem o momento certo. Só não tenho tempo nenhum pra sertanejo universitário e pagode, o resto todo é bem-vindo.

VC4 - Você vê diferença entre o trabalho do homem e da mulher no mercado da propaganda? Qual?
Luciana - A quantidade de homens na criação é brutalmente maior do que a de mulheres e esse fenômeno não acontece só no Brasil. Tenho algumas teorias, mas a verdade é que a conta não fecha, não consigo chegar a uma conclusão plausível. A única coisa que posso dizer é: meninas, penas para que te quero!

VC4 - Que recado você gostaria de dar a nova geração publicitária.
Luciana - Seja lá o que você quiser fazer da vida, lembre-se de que existem duas opções: fazer algo pra valer ou ter apenas um emprego. Conseguir um trabalho é fácil, mas se manter num trabalho e evoluir exige que você ame de verdade o que faz. Por isso, se você quer trabalhar em propaganda, pergunto: Você tem noção de que, se quiser ser um criativo em propaganda, vai ter que estudar tudo o que já foi feito? E olha que hoje em dia não tem só filme e print, há incontáveis formatos diferentes. Se você escolher ser diretor de arte, jura que vai cuidar de cada pixel do seu layout? Se for redator, jura que vai ler muito, mas muito mesmo, vai respeitar, amar e honrar nossas regras ortográficas e gramaticais? Vai assistir a filmes analisando a edição? Vai se encantar com a tecnologia e entender que ela não é a ideia (a não ser que você queira trabalhar no Silicon Valley) e quanto mais escondida ela estiver, melhor? Está sabendo que propaganda não é só ter uma ideia que você acha brilhante e pronto? Que depois de ter quebrado a cabeça, vem um trabalho gigantesco para executar a tal ideia e que o sucesso dela está nos detalhes? Está a fim de resolver problemas que não são seus, maravilhosamente bem? Não vai entrar em crise existencial e ter vergonha de ser publicitário, né? Nunca, mesmo? Nem vai entrar achando que a vida em uma agência é puro glamour, que é fácil e que você nasceu pra ganhar prêmios? Você está disposto a colocar o seu máximo em qualquer tipo de serviço, mesmo que seja um banner para celular ou um texto de 90 caracteres para um post no Facebook? Você promete se dedicar apaixonadamente à sua profissão?
Então, pode casar.


sexta-feira, 6 de março de 2015

VC4 Entrevista - Anne Caroline Barbosa

Hoje o VC4 Entrevista está mais que especial.
Como domingo (08) é o dia internacional da mulher, resolvemos mostrar que elas estão presente em tudo, inclusive em administração de empresas.
Entrevistamos Anne Barbosa, coordenadora de operações na ACIJS. Assim como muitas mulheres, Anne merece nossa admiração.
Confira:



VC4 - Qual é a sua formação?
Anne - Administração de Empresas

VC4 - Porque escolheu essa área?  
Anne - Pela abrangência do conhecimento que a área oferece. Um administrador precisa estar sempre atento as novidades do mercado, precisa ter criatividade e influenciar pessoas.

VC4 - Como você começou sua trajetória profissional? Conta pra gente um pouco da sua história.
Anne - Trabalho desde muito cedo, fazendo marketing promocional e outros free lances. Após entrar na faculdade consegui um estágio em um Hospital na cidade onde morava (Campinas SP). Foi lá que realmente comecei minha vida profissional, atuei por 7 anos, pude conhecer várias áreas e experimentei na prática os conceitos de administração. Quando cheguei em Jaraguá do Sul, participei do processo seletivo para uma vaga na consultoria de Núcleos Setoriais da ACIJS. E para minha alegria estas portas se abriram para mim.

VC4 - Nos fale um pouco sobre o seu trabalho na ACIJS. 
Anne - Como consultora de Núcleos Setoriais, pude conhecer a cultura da cidade e fazer grandes amigos. Me especializei em Planejamento Estratégico e fui desenvolvendo minha liderança. Entender os valores associativistas e multiplica-los, fizeram com que eu me apaixonasse pela Associação Empresarial de Jaraguá do Sul. Ressalto que nesta ocasião, tive grandes líderes mulheres que me orientaram e direcionaram. Trabalhar neste ambiente empreendedor e  fomentador me abriram muitas outras oportunidades, como o de trabalhar com os projetos estratégicos da ACIJS. Desenvolver a comunicação da Entidade, trabalhar ao lado de empresários renomados. Aprender com a experiência destas pessoas, e os valores que carregam e fazem com que estas dispensem tempo para buscar a melhoria da cidade de Jaraguá do Sul e para o seu povo, é único.  Tudo isso me ensinou e me trouxe até aqui. Hoje atuo como Coordenadora de Operações, temos grandes desafios mas são eles que me norteiam e me estimulam para estar aqui.

VC4 - Como você vê a mulher no mercado de trabalho nos dias de hoje?
Anne - A mulher já é maioria, é dinâmica, têm bom humor, mas tem um preço também, apesar de estarmos “dominando o mercado de trabalho”, ainda temos a responsabilidade pelo lar, pelos filhos, casamento e não é nada fácil. Ainda há de se trabalhar pela igualdade entre os gêneros, sem perder a ternura é claro.

VC4 - Sabemos que você tem filhos, o que exige muita responsabilidade e dedicação. Como você consegue administrar seu tempo para conciliar trabalho, casa e - família?
Anne - Loucura, loucura, loucura... É ilusão achar que todas estas frentes são administráveis. Procuro estar presente, procuro priorizar meu tempo, mas confesso que exige bastante dedicação e paciência, mas a Amélia que era mulher de verdade....

VC4 - Tem alguma dica que você gostaria de dar para as mulheres que estão iniciando agora uma vida profissional?
Anne - Estudar, começar do começo, ou seja, para você conseguir galgar posições na sua vida profissional é preciso começar  da base, conhecer os processos, entender a filosofia da empresa para a qual trabalha e acima de tudo fazer as coisas com amor e buscar ser sempre o melhor, mesmo na dificuldade, pois são nestas ocasiões é que notamos os grandes profissionais. E parafraseando Stalimir Vieira “Em mar calmo não se forma bons marinheiros”.



Anne e sua família
 

quarta-feira, 4 de março de 2015

VC4 Entrevista - Roberto Fernandez

Entrevistamos Roberto Fernandez, esse publicitário que tem muita história pra contar pra gente.
Atualmente Roberto está trabalhando na agência BBH, em Londres!
Em um bate-papo super descontraído por Skype, ele compartilhou um pouco da sua experiência profissional com a gente.
Confira:


VC4 – Porque você escolheu a área de publicidade?
Roberto – “Escolhi propaganda porque gosto muito de arte e comecei a trabalhar com ilustração em quadrinhos desde muito pequeno, sete-oito anos já fazia isso intensivamente e com treze-quatorze anos comecei a fazer exposições. Isso me levou a ser chamado pra fazer projetos de design gráfico, como uma coisa alternativa, provisória, eventual, mas que foi ficando cada vez mais intenso. Então quando cheguei na idade de vestibular, conseguia muita convicção pra trabalhar como designer ou como publicitário. Eu achava que como publicitário tinha mais potencial, por isso que fui pra essa área. Então eu tinha, ao contrário de muita gente, na idade de vestibular, muita certeza de que eu queria trabalhar com isso.”

VC4 – Como você começou sua trajetória profissional? Em quais agências já trabalhou? Conta pra gente um pouco mais da sua história.
Roberto – “Bom, eu tenho um irmão gêmeo, idêntico, então a gente começou desenhando e fazendo exposições juntos. A nossa primeira exposição era de um personagem de quadrinhos que a gente tinha inventado chamado Almas Gêmeas, esse personagem era xifópago, um gêmeo com um corpo só e duas cabeças, ele passava por tipo de piada de que você consiga imaginar. Publicávamos também tiras de arte no jornal do Estado do Paraná. Estudamos na Federal do Paraná e logo no primeiro ano da faculdade já íamos montar uma agência, pois tínhamos muitos projetos, que vinham nos acompanhando desde os nossos quatorze anos de idade. Montamos a agência Almas Gêmeas, começamos a atender várias contas e o negócio foi crescendo, mas era completamente desorganizado, porque era só eu e o meu irmão que fazíamos tudo, atendimento, planejamento, produção, mídia, etc. Então foi legal pra saber como funciona uma agência e deu pra aprender bastante com os erros também. Porém, o nosso forte que era criação publicitária tava rolando muito pouco, assim optamos por fechar o nosso negócio e entrar em uma agência de verdade. Fomos contratados na Exclam, onde ficamos 3 anos. Saindo de lá fomos pra Master, na qual conseguimos ganhar um leão de prata em Cannes, o que pra propaganda no Paraná é uma coisa astronômica. Ganhar um leão de prata na categoria Print é muito raro, deve ter 2 ou 3 leões na história da propaganda e, a gente ganhou um deles. E isso abriu as portas pra São Paulo. Recebemos uma proposta na Almap, tentamos convencer essa agência a contratar nós dois, porém o Marcelo Serpa queria um só; pra decidir fizemos par ou ímpar e, o meu irmão (Renato Fernandez) ganhou. Peguei então meu portfólio e coloquei um sticker na capa que dizia assim: Marcelo Serpa contratou um gêmeo com portfólio igual. Mandei esse portfólio pra DM9, a qual me contratou na hora.”

VC4 – E agora você está em Londres! Qual a diferença entre as agências europeias e brasileiras?
Roberto – “Na verdade eu já tinha um pouco dessa noção de diferença, pois da DM9, fui pra Almap, ainda como diretor de arte, porém, ao ir migrar para a Thompson virei diretor de criação. A Thompson é uma agência muito mais global, então eu vivia nas reuniões em Londres, Nova Iorque, Singapura, etc., fazendo projetos globais. A criação no Brasil é muito focada em TV e print e fora do Brasil isso já não é mais o principal há algum tempo. O meu dia-a-dia não muda muito aqui; o que muda mesmo é viver em uma cultura diferente.”

VC4 – Que nomes da publicidade mundial você admira?
Roberto – As duas agências que eu mais admiro na história da propaganda são Wieden Kennedy e BBH, admiro fundamentalmente por causa de seus líderes. Nacionalmente admiro Marcelo Serpa e Nizan Guanaes, que são gênios com os quais já trabalhei.”

VC4 – Sobre o seu trabalho, como funciona o seu processo criativo?
Roberto – Não existe exatamente um processo criativo, o que tem é um processo de se provocar para que as ideias aconteçam. Tem que ter tempo e disposição para trabalhar muito. As boas ideias não vão vêm fácil. Tem uma frase do Picasso que eu cito sempre: Que a inspiração chegue não depende de mim. A única coisa que posso fazer é garantir que ela me encontre trabalhando. O nosso trabalho é parecido com a poesia, fazemos algo e ficamos refazendo até encontrar a excelência absoluta de executar aquela ideia. Uma coisa que eu aprendi é que você não atira no leão de ouro, mas sim na nota 6, depois você tenta a 7, depois a 8; assim depois de uma semana você vai ter um trabalho bom para apresentar, mas se você já começar buscando a nota 10 você vai acabar se frustrando. O Nizan me ensinou a fazer “o anúncio burro”, que é aquele anúncio sem ideia nenhuma, mas que diz exatamente o que tem que dizer. Se o anúncio produzido depois disser a mesma coisa, porém, de uma forma melhor, você conseguiu comunicar o que precisava.”

VC4 – Que característica você considera que seja essencial em um publicitário?
Roberto – “Ser extremamente curioso. Ter vontade de conhecer tudo sem nenhum preconceito. Gostar de ver, ouvir, ler de tudo um pouco. Você precisa tentar mostrar que é uma pessoa interessante e, se você não tem conteúdo não conseguirá.”

VC4 -  Você foi jurado em Cannes. Conte pra gente como foi essa experiência.
Roberto – “Ser jurado em Cannes é, sobretudo, uma aula. É muito difícil e desgastante, ainda mais sendo um jurado brasileiro, pois o Brasil é um dos países mais fortes na propaganda do mundo. Você tem que ser ao mesmo tempo um embaixador que tenta ajudar os caras lá de fora a entender o contexto das propagandas brasileiras, é uma grande responsabilidade. Tem que ter muita opinião.”

VC4 – O que te inspira a continuar na área da publicidade?
Roberto – “A certeza de que eu não me divertiria tanto em outra coisa. Eu tenho muita paixão pelo o que eu faço. Gosto muito de criar, gosto muito de arte. E, a publicidade é uma área que eu posso fazer isso e ser pago de uma maneira que eu possa me manter bem. No Brasil se quiser viver de arte é muito difícil. Me identifiquei desde muito jovem com a publicidade. Não me vejo fazendo outra coisa.”

VC4 – Queremos conhecer mais sobre você: quais são seus livros, filmes e bandas favoritas?
Roberto – Gosto muito de tudo, vejo de tudo. O último filme que vi foi Birdman, mas eu gosto muito de filmes que me emocionam, e esses geralmente não são filmes americanos. Dois exemplos são A Despedida e Lemon Three. Gosto de cinema argentino, pois sabem contar bem as histórias. Com relação à música eu gosto muito de samba, sambas de raiz essencialmente; e também de algumas bandas de rock. De livros eu adoro ler biografias.”

VC4 – Que recado você gostaria de dar a nova geração publicitária?
Roberto – “O principal recado é: Não esqueçam que vocês são a nova geração! As coisas que eu tenho visto da nova geração é a tentativa de copiar o que a geração que ta aí está fazendo. A Social Media nasceu junto com essa nova geração e isso faz com que a relação seja muito mais intensa, o que é uma vantagem. Enfim, é preciso ter uma nova forma de pensar.”

Roberto Fernandez por Skype, em entrevista com a VC4.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

VC4 Entrevista - Eugênio Mohallem

Hoje o "VC4 Entrevista" foi com um dos mais renomados publicitários do Brasil.
Entrevistamos Eugênio Mohallem, que nos contou um pouquinho sobre sua vida e seu trabalho de uma forma super descontraída.
Confira: 



VC4 - Como você começou a escrever?
Eugênio - Desde o Ginásio. O Professor de Português estimulava e premiava as melhores redações, conseguindo que fossem publicada no jornal semanal da cidade (era uma cidade pequena). Tomei gosto e passei a colaborar com  jornais locais de vez em quando,  desde os 12 anos.

VC4 - Como você começou sua trajetória profissional? Conte-nos um pouco de sua história.
Eugênio - Comecei como redator numa house agency da Editora Abril. Em seguida fui para a Lintas Worldwide (Atual Borghi Lowe). Depois DM9 ( atual DM9éDDB), Talent e AlmapBDDO, onde passei a diretor de Criação.  Depois parti para minhas próprias agências, Fallon São Paulo (em sociedade com a Fallon Worldwide), Mohallem Meirelles, Mohallem Artplan. Essa fase de criativo-empresário teve lá suas alegrias, mas era muita encheção de saco e engolição de sapo.  Daí, voltei às origens e estou há dois anos na criação da Young & Rubican.

VC4 - Como funciona o seu processo criativo?
Eugênio - Vou escrevendo sem filtro, sem censura e sem pressa de formular nada. Depois leio, edito e dou acabamento. 

VC4 - O que te inspira para criar?
Eugênio - Observar  pessoas e principalmente a mim mesmo. Acredito que, no que é mais básico, os seres humanos são iguais. O que vale para mim vale para os outros.

VC4 - Quando a inspiração não vem, o que fazer?
Eugênio - Citando Millôr: “Inspiração é ferramenta de amador". O profissional não pode  depender dela. Simplesmente vou tentando até achar que ficou bom ou meu prazo acabar. 

VC4 - Quais profissionais lhe influenciaram no decorrer de sua carreira?
Eugênio - Os Bam-bam-bans na época em que comecei:  Sylvio Lima, Washington Olivetto, Nizan Guanaes. Num segundo momento, Luiz Toledo, Ruy Lindemberg, Alexandre Gama, Mauro Perez (este, um diretor de arte), Marcello Serpa (este também) e Fabio Fernandes.

VC4 - Quais atributos você considera essenciais em um redator?
Eugênio - Ler muito, pensar muito, e não se esquecer do que esta profissão realmente trata, que é advogar para produtos, serviços e marcas.

VC4 - Por que você decidiu trabalhar com propaganda?
Eugênio - A ideia original era ser jornalista, fui profundamente influenciado pelo filme "Todos os Homens do Presidente" (em que jornalistas do Washington Post revelam o escândalo de Wartergate, que culminaria com a renúncia de Nixon). Mas os meus textos eram ácidos, a ditadura militar ainda metia medo e meu pai estava sempre no meu pé, receoso de que os Hômi me levassem e dessem sumiço. Assim, comecei a cogitar algo parecido, que me permitisse escrever sem tanta  - literalmente - patrulha , e me bandeei para a Publicidade. Hoje não tenho dúvida de que escolhi a profissão certa para mim – até porque a publicidade mente muito menos do que o jornalismo. 

VC4 - O que te inspira no mercado da propaganda?
Eugênio - Cuma? Nada. O mercado anda chatíssimo e deturpado.

VC4 - Qual o segredo do sucesso em publicidade?
Eugênio - Não faço a menor ideia. Além de muita gente boa que merece ter chegado onde chegou, vejo picaretas se dando muito bem, agências ruins  tomando clientes das boas, tem de tudo nesse meio. 

VC4 - Como os redatores devem preparar-se para trabalhar com novas mídias?
Eugênio - Midia é apenas o carteiro. O que importa é a carta.  As ditas novas mídias ( nem são tão novas assim) ainda não me convenceram como formato publicitário profissional. Terão  lugar de peso na propaganda um dia, mas por enquanto são como aquele ventilador sem pás da marca Dyson: fazem muito vento, mas não têm nada no meio.

VC4 - O que você acha dos cursos de comunicação e propaganda oferecidos no país? Quais são os prós e contras?
Eugênio - Na minha época, escola de comunicação não ensinava quase nada (é mesmo uma profissão difícil de ensinar) mas pelo menos não atrapalhava. As de hoje deformam os futuros profissionais, estragam os caras desde o começo: focam em anúncios "do tipo Cannes” - além do deslumbramento excessivo – pela desimportância econômica que têm - com mobile advertising, aplicativos,“ações”, etc. Pegue o dinheiro que você gastaria com escolas de comunicação e torre tudo em Paletas Mexicanas sabor melancia. Terá sido melhor gasto.

VC4 - Queremos conhecer um pouco mais sobre você. Conte-nos sobre suas músicas, filmes e livros favoritos.
Eugênio - Não sou um ouvinte ou leitor sofisticado, pelo contrário. Gosto de Heavy Metal, Romances Policiais, Filmes de Sci FI e terror. Tenho muita preguiça com livros de Não-ficção,  tendo a largá-los pela metade ou menos. 

VC4 - De qual trabalho seu você sente mais orgulho?
Eugênio - Pela repercussão internacional, o filme Double Check, para Volkswagen. Anúncios, gosto de vários.  Acho que no meu site tem mais de 300 que  posso dizer que gosto, razão pela qual fica difícil elencar alguns aqui.  Também tenho meus xodós em Rádio.
Mas não sei se a palavra certa é orgulho. Acho que é satisfação, realização pessoal, sei lá. Um gostinho bom.

VC4 - Que recado você gostaria de dar à nova geração publicitária?
Eugênio - Que a nova geração seja, não apenas uma nova geração, mas publicitária. Que não se esqueça que o valor de nosso trabalho está em fazer alguém investir uma pequena fortuna numa campanha – e esta campanha gerar fortunas ainda maiores para quem acreditou nela. Somos catalisadores da economia. Isso dito, nosso  foco  como mídia são as de massa. Nosso foco como produto são os que custam dinheiro e podem ser vendidos e comprados.  A geração atual só se interessa pelos penduricalhos da profissão: campanhas mobile, ações para três gatos pingados assistirem, aplicativos e campanhas bom-mocistas, do tipo “ salvem as baleias”.  Só que nada disso movimenta a economia, nada disso nos torna importantes para o anunciante. E quase nada disso é realmente propaganda. São, no máximos, gatilhos deflagradores para ações de P.R.

Acesso site e saiba um pouco mais sobre Eugênio: http://www.eugeniomohallem.com.br/

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Inspiração para criativos - Sebastião Salgado


Hoje o inspiração para criativos vai falar um pouquinho sobre o ilustre fotógrafo brasileiro que concorreu ao Oscar nesse domingo (22).
Sebastião Salgado nasceu no ano de 1944, em Minas Gerais.
Em 1969, devido a ditadura militar, mudou-se com sua esposa para Paris.
Formado em economia, Sebastião fez sua primeira sessão de fotos aos 29 anos, em uma de suas viagens de trabalho para a África. Para tirar essas fotos usou uma câmera Leica de sua esposa.
Começou assim uma carreira de entrega total ao que se tornou sua grande paixão.
Suas fotografias em preto e branco revelam personagens, lugares e acontecimentos que entraram para a história.
Sebastião passou pelas principais agências fotográficas da Europa, entre elas a Magnum Photos, cooperativa instituída por Robert Capa e Henri Cartier-Bresson.
Já publicou pelo menos 10 livros, conquistou prêmios importantes e recebeu honrarias na Europa e na América.
Apesar de sua importância profissional é conhecido por ser um homem muito simples e gentil.

O documentário "O Sal da Terra", que retrata sua vida e obra, concorreu ao Oscar.
O filme dirigido por seu filho Juliano Ribeiro Salgado, e pelo alemão Wim Wenders, foi selecionado entre 134 inscritos. Outros quatro filmes concorreram na mesma categoria.

"Esse filme tem uma mensagem muito forte para passar. Por ele, a gente vê as coisas através dos olhos do Sebastião, consegue arrumar um jeito de ter esperança apesar dos problemas e do pessimismo no mundo. É uma ideia de que é possível fazer um amanhã melhor." - Juliano Salgado

Infelizmente a estatueta ficou com o filme "CitizenFour", de Laura Poitras, o qual relata sobre o vazamento de segredos dos EUA por  Edward Snowden.
Mesmo sem ter levado esse prêmio, "O Sal da Terra" fez história e serve de inspiração para muitos brasileiros que têm verdadeira paixão por sua arte.

Confira o trailer de "O Sal da Terra":


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Photoshop comemora 25 anos

Ontem, quinta-feira (19), o Photoshop comemorou 25 anos. Este software de manipulação de imagens é um dos principais do mundo.
Atualmente o programa é usado em uma infinidade de setores, ele está presente em todo lugar, nas revistas, nos filmes, na internet e em praticamente todas as imagens que nós vemos.
Para esta comemoração foi criado um comercial que irá passar durante o intervalo da cerimônia de premiação do Oscar, neste domingo (22).
O comercial é uma animação com a música tema "Dream On", do Aerosmith.

Confira: